“Violência no futebol: quando as causas vão ser

Jornal Estado de S. Paulo
12 de Julho de 2009
Caderno “Esportes” – Seção “Da numerada”

Mortes relacionadas ao futebol brasileiro reacendem a discussão em torno da violência no esporte. Normalmente declarações precipitadas de autoridades públicas, assim como informações desencontradas e incoerentes veiculadas pela imprensa contribuem para a formulação de “soluções mágicas”, mas que poderão comprovar-se ineficazes, dado
que não consideram a amplitude e a importância do fenômeno.
Em um primeiro momento, consideramos ser fundamental a retomada dos trabalhos da Comissão Nacional de Prevenção da Violência nos Espetáculos Esportivos pelos Ministérios do Esporte e da Justiça e a criação de colegiados similares nos estados, que tenham a atribuição de tratar o tema com o devido cuidado e de trazer o poder público para
o cerne da discussão. Há a necessidade, também urgente, de atualização da legislação específica para o esporte, como o Estatuto do Torcedor. A tarefa é especialmente oportuna neste momento, dado que o tema está sendo discutido no Senado. Alguns pontos importantes foram acrescentados à lei, mas outros, como a melhoria da
infraestrutura dos estádios, ainda não foram contemplados.
Para que as atividades sejam efetivas e contínuas, é preciso incentivar e assegurar a participação, nas referidas comissões, de representantes de diferentes esferas da sociedade (governo, entidades esportivas, torcidas organizadas, imprensa e estudiosos), de maneira a enriquecer e ampliar o enfoque das análises. Da mesma
forma, ainda verificamos a urgência da criação de uma corporação de segurança especializada em eventos esportivos, pois é notório que o despreparo dos atuais agentes públicos, e o tratamento por eles conferido aos torcedores – organizados ou não -, estão entre as
principais causas dos conflitos violentos.
A atuação dos meios de comunicação em relação ao tema da violência no meio esportivo é outro aspecto que deve ser repensado. A armadilha do crédito excessivo às versões oficiais e a demora ou descaso ao ouvir os torcedores presentes na cena do conflito contribuem para a prevalência de uma visão homogeneiz ada, que, por estar distante dos fatos, frequentemente não consegue absorver as
contradições e especificidades da relação entre torcedores. Assim, a informação que chega ao cidadão, ao invés de oferecer um panorama da situação, tende a reforçar preconceitos.
Algumas propostas apresentadas no “calor dos fatos”, como a realização de partidas com uma única torcida, denunciam a incapacidade do Estado em prover segurança aos cidadãos.
São recursos paliativos. As propostas de ações para prevenção da violência no meio esportivo não têm o poder de tornar a assistência do
esporte instantaneamente pacífica, mas espera-se respostas consequentes a episódios de violência em dias de jogos com uma apuração de forma isenta e cujos envolvidos sendo julgados e punidos dentro dos limites legais, de acordo com a participação de cada um.
Encontrar bodes expiatórios, para dar uma resposta rápida à sociedade e acalmar os ânimos da opinião pública pode trazer sensação de conforto ou dar a ideia de que estamos sendo protegidos, mas esse tipo de “saída fácil” apenas acrescenta mais pólvora a um barril que permanece pronto para explodir outras vezes. Vale reforçar, portanto, que o assunto da violência no futebol é complexo e merece discussões intensas e urgentes. Nesse sentido, a união de esforços é o modelo mais indicado para a formulação de medidas eficazes a curto, médio e longo prazos.

GEF Grupo de Estudos e Pesquisas de Futebol da Faculdade de Educação Física da Unicamp

Sobre Juliane Correia

Juliane Correia é licenciada e mestranda em Educação Física pela FEF/Unicamp e professora da rede estadual de educação do Estado de São Paulo.

3 comentários sobre ““Violência no futebol: quando as causas vão ser

  1. meu comentario sera da mesma forma um desabafo.meu filho corre atras do seu sonho desde aos 9 anos , sofrendo , sorrindo, dentro de tudo que um esporte pode dar.so que agora com 20 anos ja sendo profissional nao atuou muito bem em alguns jogos esta sem time sem empresario dentro de casa. jovem cheio de saude com muitos gastos p tras. familia pobre . isso nao deixa de ser uma violencia p mim. sou mae sofro em ver meu filho assim.ja tendo dvd de suas maravilhosas jogadas ter sido bambamban da radio trans americas. entao somos obrigados a vivenciar varios tipos de violencias dentro desse nosso amado futebol e mais amado ainda brasil. obrigado.

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