Sobre “legados” esportivos

Nesses dias que antecedem o carnaval a mídia vem nos oferecendo um vasto repertório de notícias, que vai do uso desmedido dos cartões corporativos por parte de ministros às viagens internacionais na contramão dos cortes orçamentários sinalizados pelo fim da CPMF.
Nessa balada ficamos sabendo que o Ministro do Esporte e seu Secretário Nacional de Alto Rendimento estenderam uma viagem internacional à cidade de Barcelona, a fim de buscarem elementos que os ajudassem a compreender a dinâmica do “legado” que eventos esportivos de grande porte deixavam às cidades responsáveis por suas realizações.
Seria motivo de elogios tal preocupação se não fosse ela motivada pelos ecos da herança do Pan carioca, que longe ainda de completar um ano de sua realização já é exemplo de mal uso de recurso público.
Mas não só isso. Tal viagem à cidade catalã poderia ser evitada se os assessores do ministro e de seu secretário fizessem chegar até ambos, duas publicações que circularam pelos corredores do ministério entre 2004 e 2006.
Estamos falando dos livros “Las Claves del Êxito: Impactos sociales, deportivos, econômicos y comunicativos de Barcelona 92″ e “1992 / 2002 – Barcelona: L’herència dels Jocs”.
O primeiro – editado pelo Centro de Estúdios Olímpicos y del Deporte de la Universidad Autônoma de Barcelona, Comitê Olímpico Espanõl, Museo Olímpico de Lausana e Fundaçión Barcelona Olímpica – teve edição em castelhano (junho/95), catalão (julho/95) e inglês (novembro/95).
O segundo, publicado em catalão no ano de 2002 pela Editorial Planeta e editado pela mesma Universidade Autônoma de Barcelona, através de seu Centro de Estudos Olímpicos e de Esporte, em conjunto com L’Àrea d’Esports de L’Ajuntament de Barcelona. Ambos organizados pelos estudiosos Miquel de Moragas e Miquel Botella.
O Ministério do Esporte prestaria um enorme serviço se envidasse esforços de viabilizar a edição das obras em português. A Faculdade de Educação Física da Unicamp, através de seu “Observatório do Esporte”, está disposta a cerrar fileiras com ele com vistas à concretização da publicação.

Um comentário sobre “Sobre “legados” esportivos

  1. Professor Lino
    Vi outro dia sua oportuna e esclarecedora entrevista a Juca Kfouri.
    Por aqui, no espaço que disponho, tb trabalho para mostrar como o dinheiro público vai na contra-mão dos interesses públicos e da própria Constituição
    Estou impressionado como se liberam verbas com facilidades impressionantes e e fins duvidosos, sem controle, como se o ME fosse uma entidade autônoma no contexto do Governo Federal.

    Um dos artigos q li em seu “Observatório” o autor faz referência ao primeiro ciclo olímpico com verbas públicas (Lei Agnelo Piva, principalmente. Acompanho esse assunto desde a aprovação da lei e estamos, agora, no sétimo ano e meio de liberação de verbas. Foram mais de R$ 300 milhões. Outros R$ 300 milhões da recente Lei de Incentivo ao Esporte, Outro tanto das seis estatais (BB, Caixa, Correios, Petrobrás, Infraero e Eletrobras) que patrocinam atletismo, natação, judô, basquete, fusal, vôlei, handebol, enfim). E temos a Bolsa Atleta, os recursos do próprio orçamento, etc. Bem, para não me alongar:o que questiono é: a falta de prioridades para aplicar o dinheiro e a omissão do governo, via ME nas decisões do COB que, como foi bem dito, é o ente civil soberano que sobrevive às custas de verbas públicas. Minas manifestações sobre isso, muitas vezes, soam como um desabafo. Mas é estarrecido, Professor, que vejo essa situação em 22 anos convivendo com os bastidores do esporte em Brasília.
    Grande abraço e parabéns pelo excelente espaço para debates que o Senhor oferece.
    José Cruz

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