O papel do governo para o esporte

Retirado do Blog do Erich Beting, em 07/10/2010

Está hoje no UOL a matéria sobre o quanto o governo deve aportar de dinheiro para financiar os atletas de alto rendimento em mais um ciclo olímpico. Até 2012, de acordo com a matéria de Bruno Doro e Gustavo Franceschini, serão R$ 4,5 bilhões para o esporte vindo de empresas ou projetos do governo (leia a matéria completa aqui). Nunca antes na história desse país… Ou melhor. O que o governo injetará no esporte é praticamente o mesmo que foi investido para conseguir realizar os Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro.

E, tanto num caso quanto no outro, o que ficou, de fato, para o bem do esporte?
A função do governo não é bancar o esporte de alto rendimento no Brasil. Empresas estatais, assim como as privadas, podem usar o esporte que dá mídia para ações de marketing. Mas o papel do governo não é criar leis e loterias que ajudem a financiar a ponta final do processo.

Desde sempre falta uma política clara para o crescimento da prática esportiva em todos os cantos do Brasil. Essa é a preocupação que o governo tem de ter com o esporte. Não adianta achar que a lógica inversa tem validade. Ou seja, que ao investir no atleta de ponta, ele consegue medalha e, assim, incentiva a prática de uma modalidade no Brasil. Isso, de fato, acontece. Mas é muito mais difícil e demanda muito mais investimento garimpar um atleta desses do que buscar formar as pessoas para praticar esportes e, assim, passar a ter rendimento melhor.
Os mesmos R$ 4,5 bilhões gastos no atual ciclo olímpico poderiam, muito bem, fomentar o desenvolvimento de centros de lazer para a população. Oferecer espaço público para a prática esportiva é muito mais eficiente do que apenas apoiar a ponta final do processo. E, acredite, pode gerar mais votos, já que infelizmente política no Brasil significa projeto de poder, e não de governo.

Os bilhões colocados no Pan e na preparação de atletas de ponta do Brasil têm o mesmo destino. Servem para beneficiar poucos e não resolve a real carência brasileira, que é ter uma nação que transpire esporte por todos os seus poros. O esporte de alto rendimento pode se tornar sustentável economicamente, sem precisar de apoio estatal, desde que exista uma base para formarmos atletas e desde que tenhamos profissionais capacitados para gerenciar o esporte no país.

Enquanto o governo, a cúpula esportiva e a própria mídia se preocuparem em olhar quantidade de medalhas, e não formação de pessoas e atletas, continuaremos a investir bilhões a fundo perdido.

Sobre Juliane Correia

Juliane Correia é licenciada e mestranda em Educação Física pela FEF/Unicamp e professora da rede estadual de educação do Estado de São Paulo.

6 comentários sobre “O papel do governo para o esporte

  1. Boa tarde. Estamos editando um jornal sobre esportes.
    Gostaria de autorização para inserir alguns trechos dessa noticia na matéria sobre as faces do esporte.
    Citaremos a fonte.
    Fico a disposição para informações adicionais.
    Obrigada,

  2. sou aluna de Mestrado em Sistemas de Informação da UNIRIO (RJ). Minha pesquisa é sobre busca por fontes de informação em repositórios de metadados apoiada por semântica.

    Nesta etapa da pesquisa estou trabalhando em um estudo de caso e utilizo o Catálogo de Informações DadosGov COI-PR. Este catálogo possui várias séries históricas publicadas, principalmente sobre os 8 anos de governo Lula.

    Estou entrando em contato com voces para saber se teriam interesse em participar deste estudo realizando algumas consultas sobre investimentos do governo federal em esportes em uma aplicação que está disponível na internet no endereço http://www.uniriotec.br/semcoi. Esta aplicação não contém os dados, somente os metadados, ou seja, descrição destas fontes de informação mas é possível, através do detalhamento dos metadados, acessar os dados no portal DadosGov COI-PR.

    Se tiverem alguma dúvida podem entrar em contato comigo.

    Agradeço a atenção.

  3. A visão limitada de investir naquilo que traz visibilidade não tem bases sólidas, por essa razão concordo que o investimento acaba por ser alto demais para pequena demanda que fornecerá poucos frutos, se considerarmo que o atleta de alto nível já está no seu limite, portanto como atleta de alto nível vencerá por pouco tempo. É importante o investimento nele, mas não deve ser o foco ao contrário o investimento no esporte, clubes, centros esportivos que atendam com variedade de atividades, com qualidade de atendimento nossos jovens de classes menos privilegiadas ( sim, bairros que não tem opçao de lazer para nossos adolescentes, falo das classes mais humildes por que os jovens das classes altas têm acesso ao esporte com maior facilidade)pode despontar dai talentos importantes que podem projetar a imagem do país.

  4. A visão limitada de investir naquilo que traz visibilidade não tem bases sólidas, por essa razão concordo que o investimento acaba por ser alto demais para pequena demanda que fornecerá poucos frutos, se considerarmo que o atleta de alto nível já está no seu limite, portanto como atleta de alto nível vencerá por pouco tempo. É importante o investimento nele, mas não deve ser o foco ao contrário o investimento no esporte, clubes, centros esportivos que atendam com variedade de atividades, com qualidade de atendimento nossos jovens de classes menos privilegiadas ( sim, bairros que não tem opçao de lazer para nossos adolescentes, falo das classes mais humildes por que os jovens das classes altas têm acesso ao esporte com maior facilidade) pode despontar dai talentos importantes que podem por sua vez projetar a imagem do país.

  5. o investimento em centros de excelência,além de garimpar atletas de alto rendimento, ira ocupar milhares de alunos/atletas,jovens e nortear um povo para vida ativa e divulgar novas modalidades…dando a devida importância as qualidades individuais de cada um, mas esse não seria a vitrine política ideal para nossos políticos.

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