BRASIL NO OLIMPO: Reflexão acerca da performance da equipe olímpica brasileira de natação
Publicado em 27.08.2007.
Por Rafael Moreno Castellani
INTRODUÇÃO
…Os Jogos Olímpicos, o Esporte e a Política começam a escrever em conjunto sua história em 1898 já na primeira Olimpíada da era moderna. No entanto, foi em 1936 que essa relação foi exacerbada e mais consolidada. Conforme Holmes (1979), Esporte e Política tornaram-se inseparáveis a partir desta data em virtude da realização dos Jogos Olímpicos de Berlim, na qual Hitler fez dos Jogos um espaço de divulgação de seu ideal nazista. Ainda segundo tal autora, nenhum acontecimento esportivo internacional, a partir de então, foi realizado sem que governos ou grupos interessados quisessem utilizá-los para fins políticos.
Em acontecimento recente, o cineasta Steven Spielberg, diretor artístico dos próximos Jogos Olímpicos (Pequim 2008), renunciou ao cargo devido a controvérsias políticas criticando o apoio da China ao governo do Sudão, acusado de ajudar milícias a promover massacre aos rebeldes da região de Darfur (oeste do país). Em contrapartida, dias depois, o COI (Comitê Olímpico Internacional), autorizou a utilização de “blogs” durante a realização dos Jogos. O fato inédito na história dos Jogos Olímpicos dará aos atletas a oportunidade de relatar suas experiências pessoais no evento por meio de diários eletrônicos. Em reportagem da Folha de São Paulo, Adalberto Leister Filho, destaca que os blogs, agora permitidos, podem ser arma importante de ONGs que lutam por mais liberdade na China. Afinal, na Olimpíada, os atletas poderão dar visibilidade global às reivindicações. Essa é a crença de entidades como a Olympic Watch, criada na República Tcheca, que prega o boicote olímpico. “Sabemos que é difícil aos atletas abrirem mão de participar da Olimpíada. Mas, definitivamente, eles não são máquinas de alta performance desprovidas de consciência”, disse à Folha Petr Kutilek, secretário-geral da ONG. A Anistia Internacional, impedida de trabalhar na China, estimula os atletas a aproveitarem a Olimpíada para se manifestar sobre a situação local.
Por sua vez, a Educação Física brasileira, somente nos anos 80 do século passado, começa a se modificar ao demonstrar interesse por tal temática. Sabe-se que a partir do período mencionado, caracterizou-se por estabelecer uma interlocução com a teoria social de cunho crítico num movimento que representou uma renovação teórica extremamente relevante para o debate acadêmico desta área e para seus profissionais.
Assim, já a partir da década de 80 do século passado, a temática de políticas públicas de Esporte e Lazer começa a ganhar espaço de investigação entre pesquisadores da Educação Física. Entretanto, foi somente a partir da década seguinte que o debate em torno do Esporte e do Lazer como direitos sociais ganhou notoriedade e significância na produção acadêmica na área.
Se boa parte dos chamados direitos sociais se deveu à luta do movimento operário por melhores condições de vida (os direitos trabalhistas, o direito à saúde, o direito à educação, etc.) este não foi o caso do esporte. Contudo, embora o esporte tenha surgido por iniciativa da burguesia inglesa, no final do século XVIII, o proletariado, desde o primeiro momento, lutou para ter acesso a ele concomitantemente aos esforços pela diminuição da jornada de trabalho e subseqüente aumento do tempo livre.1
Bracht (1997: 9), analisando a prática social Esporte, a caracterizou como “… uma atividade corporal de movimento com caráter competitivo surgida no âmbito da cultura européia por volta do século XVIII, e que com esta, expandiu-se para o resto do mundo”.
Percebe-se, na caracterização do autor, que o esporte, em sua origem, já traz um elemento vinculado à hegemonia burguesa: a questão da competitividade, valor tão caro ao regime capitalista. Argumenta ainda que tal fenômeno apresenta as seguintes características: competição; rendimento físico-técnico; recorde; racionalização; e cientificização do treinamento.
Para dar trato à sua objetivação, facilitando a própria formulação de política esportiva, se convencionou reconhecer três dimensões básicas do esporte, quais sejam, a educacional, a recreativa e a de alto rendimento, para cada uma delas pensando-se ações que as dotassem de certa autonomia balizada pelo fato de não se duvidar de que ele, Esporte, é, de fato, uma única prática social.
Convencionou-se ainda que o Esporte Educacional se vincularia ao espaço estudantil, escolar e universitário; que o Esporte Recreativo seria aquele a povoar o tempo/espaço de lazer; e que o Esporte de Alto Rendimento se voltaria para a performance humana no campo esportivo. (Conferência Nacional de Esporte, 2004)
Embora a Constituição Federal de 1988 diferencie o esporte em duas manifestações (desporto performance, desporto educacional) e o atual governo o diferencie em três manifestações (Alto rendimento/performance, lazer/participativo e educacional), me valerei da interpretação de Bracht (1997) ao diferenciá-lo dualmente em esporte de alto rendimento ou espetáculo e esporte enquanto atividade de lazer. Justifico tal opção por concordar com o autor que toda prática esportiva é educacional, podendo esta vincular-se a uma das duas perspectivas de esporte acima mencionadas, embora prevaleçam no ambiente escolar, características do esporte de rendimento. Ou seja, é a lógica do esporte de alto rendimento que determina as características do esporte escolar.
Vale aqui lembrar que a gênese do fenômeno não explica integralmente o seu desenvolvimento e, nesse sentido, a diferenciação elaborada pelo professor Bracht nos será de fundamental importância. Explicamos: no marco do neoliberalismo em que direitos sociais são atacados, como explicar o caso do esporte que passou a contar com maiores incentivos? Simples: não foi todo o esporte que passou a contar com maiores investimentos e políticas por parte do Estado, mas a sua dimensão de alto rendimento ou espetáculo. O esporte como atividade de lazer, ou seja, em sua manifestação mais vinculada aos direitos sociais, não tem tido o mesmo tipo de tratamento.2
Ao que parece, o esporte de lazer tem tido o mesmo tratamento que o neoliberalismo tem dedicado aos outros direitos conquistados/concedidos à classe trabalhadora: o corte profundo de investimentos públicos.
Sem aqui trabalhar com uma lógica hierarquizadora de direitos, ou seja, que há direitos que são mais fundamentais que outros e, portanto, sem preconceitos com o maior investimento no esporte de alto rendimento ou espetáculo, nosso estudo se dedicou a analisar se tais investimentos têm representado melhoria nos resultados das equipes brasileiras. Em outras palavras: é verdadeira aquela afirmação de que com investimentos o Brasil se tornaria uma potência esportiva? Pareceu-nos que investigar como estão os resultados seria um interessante caminho para responder esta questão.
Tal plano de investigação pressupunha um estudo sobre as relações entre o Estado, as políticas sociais e o esporte; um levantamento sobre os resultados brasileiros nas olimpíadas de Barcelona (1992), Atlanta (1996) e Sidnei (2000) a fim de estabelecer uma comparação do Brasil com ele mesmo analisando as marcas obtidas em Atenas com as obtidas nas olimpíadas anteriores (1992, 1996 e 2000) e, nesse aspecto, interessava-nos: mensurar/aquilatar a “distância” que os referidos resultados tinham das marcas mundiais e olímpicas então existentes e saber, comparativamente, se os resultados obtidos em Atenas estão mais próximos, mais distantes ou no mesmo lugar em relação às marcas mundiais atualmente estabelecidas.
Para que tais objetivos pudessem ser atingidos, iniciou-se uma ampla busca em base de dados, arquivos eletrônicos, sites oficiais além das bibliografias relacionadas ao tema, seguida de uma reorganização dos dados de maneira a permitir uma melhor análise e interpretação dos mesmos com uma conseqüente conclusão posterior.
RESULTADOS
Embora tenhamos pesquisado o desempenho brasileiro em todas as modalidades olímpicas, centramos nesta publicação, por questões de natureza editorial, na modalidade natação. Nela, foram destacadas as participações nas provas em que os resultados permitiam uma melhor interpretação da performance brasileira nas olimpíadas de Barcelona, Atlanta, Sidney e Atenas, ou seja, foram aqui analisadas provas que refletiam uma piora, melhora ou manutenção do rendimento brasileiro, meramente como exemplos.3
| 50m livre (masc.) | Barcelona 1992 | Atlanta 1996 | Sidney 2000 | Atenas 2004 |
| Melhor marca | 21s91 | 22s13 | 21s98 | 21s93 |
| Marca brasileira | 23s01 | 22s29 | 22s88 | 22s27 |
| Recorde Olímpico | 21s91 | 21s91 | 21s91 | 21s91 |
| Recorde Mundial | 21s81 | 21s81 | 21s64 | 21s64 |
O atleta brasileiro presente nessa prova em Atenas foi Fernando Scherer e atingiu o 10ºlugar na classificação geral. Nos 50 metros livre masculino percebe-se em Atenas uma evolução da marca brasileira em relação a Sidney, no entanto, ainda distante dos recordes olímpico e mundial. A marca brasileira, quando comparada com a melhor marca da prova, apresentou uma melhora, entretanto não linear, visto que melhorou de Barcelona à Atlanta, piorou em Sidney e voltou a melhorar em Atenas. Por sua vez, foi nas olimpíadas de Atlanta que a marca obtida por um atleta brasileiro mais se aproximou dos recordes olímpico e mundial.
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| 50m livre (fem.) | Barcelona 1992 | Atlanta 1996 | Sidney 2000 | Atenas 2004 |
| Melhor marca | 24s76 | 24s87 | 24s32 | 24s58 |
| Marca brasileira | ————– | ———- | ———– | 25s20 |
| Recorde Olímpico | 24s76 | 24s76 | 24s13 | 24s13 |
| Recorde Mundial | 24s76 | 24s51 | 24s13 | 24s13 |
As atletas brasileiras que representaram o Brasil nesta prova foram Flávia Delaroli (conquistou o 8olugar) e Rebeca Gusmão (eliminada na fase preliminar). A simples classificação para as olimpíadas de Atenas nesta prova já retrata uma evolução brasileira. Entretanto, ainda estamos muito distantes dos recordes olímpico e mundial, e até mesmo da melhor marca da prova. Vale ressaltar, que mesmo apresentando uma melhora, a marca brasileira encontra-se relativamente distante da melhor marca da prova, mesmo esta tendo uma significativa piora de Sidney à Atenas.
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| 100m livre (masc.) | Barcelona 1992 | Atlanta 1996 | Sidney 2000 | Atenas 2004 |
| Melhor marca | 49s02 | 48s74 | 48s30 | 48s17 |
| Marca brasileira | 51s17 | 49s02 | 49s43 | 50s67 |
| Recorde Olímpico | 48s63 | 48s63 | 47s84 | 47s84 |
| Recorde Mundial | 48s42 | 48s21 | 47s84 | 47s84 |
O atleta Jader Souza representou o Brasil nesta prova conquistando somente o 34ºlugar.
Apesar de uma melhora significativa de Barcelona à Atlanta, a equipe brasileira em Sidney e Atenas regrediu suas marcas se distanciando ainda mais dos recordes mundial e olímpico. Da mesma forma, o Brasil confirma sua trajetória no sentido oposto às melhores marcas, estando cada vez mais distantes destas.
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| 100m livre (fem.) | Barcelona 1992 | Atlanta 1996 | Sidney 2000 | Atenas 2004 |
| Melhor marca | 54s64 | 54s50 | 53s83 | 53s84 |
| Marca brasileira | ————– | 57s16 | ———– | 56s26 |
| Recorde Olímpico | 54s64 | 54s50 | 53s77 | 53s52 |
| Recorde Mundial | 54s48 | 54s01 | 53s77 | 53s52 |
A nadadora Rebeca Gusmão representou o Brasil em Atenas nesta prova atingindo somente o 20ºlugar. Com somente duas participações nesta prova em quatro olimpíadas, o Brasil mostra que ainda tem muito a evoluir. Apesar da não classificação em Sidney, volta a classificar-se em Atenas, apresenta uma pequena melhora em relação à marca obtida em Atlanta, aproximando-se muito pouco da melhor marca da prova. No entanto, distancia-se do recorde olímpico em virtude deste evoluir mais significativamente, mas aproxima-se do recorde mundial. Isso porque em Atlanta o recorde olímpico foi significativamente inferior ao recorde mundial. Por sua vez, em Atenas, a marca obtida foi responsável pela quebra dos recordes olímpico e também mundial, igualando-se portanto.
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| 200m livre (masc.) | Barcelona 1992 | Atlanta 1996 | Sidney 2000 | Atenas 2004 |
| Melhor marca | 1m46s70 | 1m47s63 | 1m45s35 | 1m44s71 |
| Marca brasileira | 1m51s04 | 1m48s08 | 1m53s65 | 1m50s27 |
| Recorde Olímpico | 1m46s70 | 1m46s70 | 1m46s70 | 1m44s71 |
| Recorde Mundial | 1m46s69 | 1m46s69 | 1m45s51 | 1m44s06 |
O atleta brasileiro presente nessa prova em Atenas foi Rodrigo Castro conquistando o 20ºlugar. Após uma piora no tempo obtido na Olimpíada de Sidney com o conseqüente distanciamento dos recordes, a equipe brasileira voltou a progredir em Atenas, melhorando sua marca e se aproximando – de forma menos expressiva que em Atlanta – dos recordes mundial e olímpico. A excelente marca atingida pela Brasil em Atlanta foi responsável por caracterizar a menor distância existente entre a marca brasileira e os recordes olímpico e mundial nesta prova. Já em relação a melhor marca, o Brasil, apesar de menos distante da marca de Sidney, encontra-se ainda mais distante das marcas de Barcelona e principalmente de Atlanta.
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| 200m livre (fem.) | Barcelona 1992 | Atlanta 1996 | Sidney 2000 | Atenas 2004 |
| Melhor marca | 1m57s90 | 1m58s16 | 1m58s24 | 1m58s03 |
| Marca brasileira | ————- | ———– | ———– | 2m02s91 |
| Recorde Olímpico | 1m57s65 | 1m57s65 | 1m57s65 | 1m57s65 |
| Recorde Mundial | 1m57s55 | 1m56s78 | 1m56s78 | 1m56s64 |
Nesta prova o Brasil foi representado em Atenas pela atleta Mariana Brochado, conquistando o 23ºlugar. Apesar da classificação para as olimpíadas de Atenas nesta prova demonstrar um progresso válido para esta modalidade, estamos ainda bem distantes dos recordes olímpico e mundial, assim como em relação a melhor marca da prova, verificando a necessidade de buscar uma evolução mais significativa para nos aproximarmos das melhores marcas.
| 400m livre (masc.) | Barcelona 1992 | Atlanta 1996 | Sidney 2000 | Atenas 2004 |
| Melhor marca | 3m45s00 | 3m47s97 | 3m40s59 | 3m43s10 |
| Marca brasileira | —————- | 3m56s43 | 3m53s87 | 3m59s96 |
| Recorde Olímpico | 3m45s00 | 3m45s00 | 3m40s59 | 3m40s59 |
| Recorde Mundial | 3m45s00 | 3m43s80 | 3m40s59 | 3m40s08 |
O nadador Bruno Bonfim foi o brasileiro responsável por representar o Brasil nesta prova em Atenas, atingindo o 34ºlugar. A melhora brasileira apresentada de Barcelona a Sidney não se confirma em Atenas, visto que piorou significativamente sua marca, distanciando-se ainda mais da melhor marca da prova e consequentemente dos recordes olímpico e mundial. Dessa forma, nosso progresso não caminhou na mesma proporção que a melhor marca da prova, visto que a menor distância existente entre ambas ocorreu em Atlanta, mesmo a marca brasileira obtida nesta Olimpíada sendo superior à marca obtida em Sidney.
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| 400m livre (fem.) | Barcelona 1992 | Atlanta 1996 | Sidney 2000 | Atenas 2004 |
| Melhor marca | 4m07s18 | 4m07s25 | 4m05s80 | 4m05s34 |
| Marca brasileira | ————- | ———— | ———— | 4m13s75 |
| Recorde Olímpico | 4m03s85 | 4m03s85 | 4m03s85 | 4m03s85 |
| Recorde Mundial | 4m03s85 | 4m03s85 | 4m03s85 | 4m03s85 |
A atleta Monique Ferreira representou o Brasil em Atenas nesta prova, conquistando o 19olugar. A primeira classificação para uma olimpíada nas ultimas quatro edições demonstra um progresso, no entanto ainda estamos muito distantes dos recordes olímpico e mundial, assim como da melhor marca obtida nesta prova. Apesar dos recordes olímpico e mundial não terem evoluído de Barcelona a Atenas, a melhor marca foi progredindo pouco a pouco estando em Atenas mais próxima dos recordes.
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| 1500m livre (masc.) | Barcelona 1992 | Atlanta 1996 | Sidney 2000 | Atenas 2004 |
| Melhor marca | 14m43s48 | 14m56s40 | 14m48s33 | 14m43s40 |
| Marca brasileira | ————— | 15m26s27 | 15m23s15 | ————- |
| Recorde Olímpico | 14m43s48 | 14m43s48 | 14m43s48 | 14m43s40 |
| Recorde Mundial | 14m43s48 | 14m41s66 | 14m41s66 | 14m34s56 |
O progresso da marca brasileira verificado em Sidney em relação à Atlanta, que teve como conseqüência uma aproximação da sua marca com os recordes olímpico e mundial, não se confirmou em Atenas visto que não atingimos sequer índice olímpico. Por sua vez, quando comparadas com as melhores marcas, o Brasil estabelece a menor distância entre ambas em Atlanta, já que em Sidney, apesar de apresentarmos uma marca inferior a de Atlanta, estivemos mais distantes da melhor marca da prova, confirmando um progresso mais satisfatório das melhores marcas quando comparadas às marcas brasileiras.
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| 100m costas (masc.) | Barcelona 1992 | Atlanta 1996 | Sidney 2000 | Atenas 2004 |
| Melhor marca | 53s98 | 54s10 | 53s72 | 54s06 |
| Marca brasileira | 57s28 | 56s96 | 55s58 | 57s07 |
| Recorde Olímpico | 53s98 | 53s98 | 53s72 | 53s72 |
| Recorde Mundial | 53s93 | 53s83 | 53s60 | 53s45 |
Nesta prova, o Brasil foi representado em Atenas pelo atleta Paulo Machado conquistando o 32olugar. A marca brasileira apresenta em Atenas uma piora significativa, tendo em vista principalmente a melhora apresentada em Sidney (das quatro últimas, a olimpíada em que atingimos a menor distância da nossa marca em relação aos recordes). Na mesma direção aponta a marca brasileira quando comparada às melhores marcas, estabelecendo em Sidney a menor distância entre elas.
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| 100m costas (fem.) | Barcelona 1992 | Atlanta 1996 | Sidney 2000 | Atenas 2004 |
| Melhor marca | 1m00s68 | 1m01s19 | 1m00s21 | 1m00s37 |
| Marca brasileira | ————- | ———— | 1m03s68 | ————- |
| Recorde Olímpico | 1m00s68 | 1m00s68 | 1m00s21 | 59s68 |
| Recorde Mundial | 1m00s31 | 1m00s16 | 1m00s16 | 59s58 |
O progresso alcançado em Sidney em relação às duas Olimpíadas anteriores não se confirmou em Atenas, visto que a olimpíada de Sidney foi a única das quatro últimas em que o Brasil atingiu índice olímpico nesta modalidade. Ainda assim, a marca obtida está muito distante dos recordes mundial e olímpico assim como da melhor marca da prova.
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| 200m costas (masc.) | Barcelona 1992 | Atlanta 1996 | Sidney 2000 | Atenas 2004 |
| Melhor marca | 1m58s47 | 1m58s54 | 1m56s76 | 1m54s95 |
| Marca brasileira | 2m01s02 | 2m03s20 | 2m00s48 | 2m00s48 |
| Recorde Olímpico | 1m58s47 | 1m58s47 | 1m56s76 | 1m54s95 |
| Recorde Mundial | 1m56s57 | 1m56s57 | 1m55s87 | 1m54s74 |
O atleta Rogério Romero foi o responsável por representar em Atenas o Brasil nesta prova, conquistando o 15olugar. A marca brasileira apresentou uma melhora de Atlanta à Sidney no entanto não se alterou em relação a Atenas. Desta forma nos distanciamos ainda mais dos recordes olímpico e mundial, visto que estes apresentaram um significativo progresso em Atenas (vale ressaltar que a menor distância que estivemos destes foi apontada em Sidney). Do mesmo modo, a marca brasileira, quando comparada à melhor marca da prova, volta a distanciar-se (depois de uma melhora em Sidney em relação à Atlanta) em virtude da melhora da melhor marca que teve como conseqüência a quebra do recorde olímpico.
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| 200m peito (masc.) | Barcelona 1992 | Atlanta 1996 | Sidney 2000 | Atenas 2004 |
| Melhor marca | 2m10s16 | 2m12s57 | 2m10s87 | 2m09s44 |
| Marca brasileira | ————– | ———— | ———— | 2m16s04 |
| Recorde Olímpico | 2m10s16 | 2m10s16 | 2m10s16 | 2m09s44 |
| Recorde Mundial | 2m10s16 | 2m10s16 | 2m10s16 | 2m09s04 |
Nesta prova, o Brasil foi representado em Atenas por Eduardo Fischer atingindo o 24olugar. A primeira classificação para uma olimpíada nesta prova desde Barcelona reflete uma melhora, mas ainda não significativa quando comparada à evolução e distância da marca brasileira aos recordes olímpico e mundial, assim como quando comparada à melhor marca da prova.
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| 100m borboleta (masc.) | Barcelona 1992 | Atlanta 1996 | Sidney 2000 | Atenas 2004 |
| Melhor marca | 53s32 | 52s27 | 52s00 | 51s25 |
| Marca brasileira | 54s85 | 55s23 | ———— | 52s33 |
| Recorde Olímpico | 53s08 | 52s27 | 52s00 | 51s25 |
| Recorde Mundial | 52s84 | 52s27 | 51s81 | 50s76 |
O nadador Kayo Marcio foi um dos atletas brasileiros participantes dessa prova nas olimpíadas de Atenas, mas acabou sendo eliminado preliminarmente. Já Gabriel Mangabeira, outro participante da equipe brasileira nesta prova, conquistou o 6olugar. Após a má classificação em Atlanta e a não obtenção de índice olímpico em Sidney, a equipe brasileira melhorou seu desempenho em Atenas refletindo numa menor distância em relação ao recorde olímpico, ao recorde mundial e também a melhor marca da prova nos últimos quatro Jogos Olímpicos. O progresso brasileiro verificado em Atenas não foi exclusividade nossa visto que, tanto a melhor marca da prova (responsável pela quebra do recorde olímpico) quanto o recorde mundial também progrediram significativamente.
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| 100m borboleta (fem.) | Barcelona 1992 | Atlanta 1996 | Sidney 2000 | Atenas 2004 |
| Melhor marca | 58s62 | 59s13 | 56s61 | 57s72 |
| Marca brasileira | ————- | 1m01s39 | 1m02s99 | ————- |
| Recorde Olímpico | 58s62 | 58s62 | 56s61 | 56s61 |
| Recorde Mundial | 57s93 | 57s93 | 56s61 | 56s61 |
A melhora obtida em Atlanta com a simples obtenção do incide olímpico não se confirmou em Sidney, muito menos em Atenas por estarmos, assim como em Barcelona, sem a obtenção sequer do índice olímpico com a conseqüente participação na prova. Assim, foi na olimpíada de Atlanta que estivemos mais próximos dos recordes mundial e olímpico, e também da melhor marca da prova.
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| 200m borboleta (masc.) | Barcelona 1992 | Atlanta 1996 | Sidney 2000 | Atenas 2004 |
| Melhor marca | 1m56s26 | 1m56s51 | 1m55s35 | 1m54s04 |
| Marca brasileira | 2m01s87 | ———— | ———– | ————- |
| Recorde Olímpico | 1m56s26 | 1m56s26 | 1m55s35 | 1m54s04 |
| Recorde Mundial | 1m55s69 | 1m55s22 | 1m55s18 | 1m53s98 |
A marca obtida em Barcelona e a não classificação para as próximas três olimpíadas refletem que temos muito a evoluir nesta prova, principalmente quando comparada com as melhores marcas da prova (responsáveis pela quebra do recorde olímpico de Sidney e Atenas) e a evolução do recorde mundial.
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| 200m medley (masc.) | Barcelona 1992 | Atlanta 1996 | Sidney 2000 | Atenas 2004 |
| Melhor marca | 2m00s76 | 1m59s91 | 1m58s98 | 1m57s14 |
| Marca brasileira | 2m07s09 | ———– | ———– | 2m00s11 |
| Recorde Olímpico | 2m00s17 | 1m59s91 | 1m58s98 | 1m57s14 |
| Recorde Mundial | 1m59s36 | 1m58s16 | 1m58s16 | 1m55s94 |
Nesta prova, o Brasil foi representado em Atenas por Thiago Pereira e Diogo Yabe conquistando respectivamente o 5olugar e 26olugar. As marcas brasileiras, após o inexpressivo resultado obtido em Barcelona e principalmente após a não classificação para as olimpíadas de Atlanta e Sidney, têm uma melhora significativa em Atenas, denotando a menor distância em relação aos recordes olímpico e mundial, assim como quando comparada com a melhor marca da prova (responsável pela quebra de recorde olímpico).
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| 200m medley (fem.) | Barcelona 1992 | Atlanta 1996 | Sidney 2000 | Atenas 2004 |
| Melhor marca | 2m11s65 | 2m13s93 | 2m10s68 | 2m11s14 |
| Marca brasileira | ————- | 2m18s99 | ———— | 2m15s43 |
| Recorde Olímpico | 2m11s65 | 2m11s65 | 2m10s68 | 2m10s68 |
| Recorde Mundial | 2m11s65 | 2m11s65 | 2m09s72 | 2m09s72 |
A nadadora Joanna Maranhão representou o Brasil nesta prova em Atenas, mas acabou sendo eliminada preliminarmente. Dessa forma, a equipe brasileira apresenta uma evolução inconstante já que, após a não classificação em Barcelona, ela classifica-se em Atlanta, mas não confirma sua evolução ao não atingir índice olímpico e ficar de fora das olimpíadas de Sidney. Por sua vez, quatro anos mais tarde, nas olimpíadas de Atenas, apesar de obter uma marca não muito satisfatória, atinge uma marca responsável pela menor distância dos recordes olímpico e mundial e da melhor marca da prova obtida nas quatro últimas olimpíadas.
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| 400m medley (masc.) | Barcelona 1992 | Atlanta 1996 | Sidney 2000 | Atenas 2004 |
| Melhor marca | 4m14s23 | 4m14s90 | 4m11s76 | 4m08s26 |
| Marca brasileira | 4m29s28 | ———— | ———– | 4m22s06 |
| Recorde Olímpico | 4m14s23 | 4m14s23 | 4m11s76 | 4m08s26 |
| Recorde Mundial | 4m12s36 | 4m12s30 | 4m11s76 | 4m08s26 |
Nesta prova, participaram representando o Brasil em Atenas os atletas Thiago Pereira (17olugar) e Lucas Salatta (19olugar). Assim, após a não classificação para as olimpíadas de Atlanta e Sidney, o Brasil classifica-se em Atenas, aponta uma marca mais satisfatória que a de Barcelona, mas ainda encontra-se muito distante dos recordes olímpico e mundial. As melhores marcas apresentam uma evolução constante, principalmente ao apresentarem em Sidney e Atlanta resultado muito expressivo, responsáveis pela quebra dos recordes olímpico e mundial.
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| 400m medley (fem.) | Barcelona 1992 | Atlanta 1996 | Sidney 2000 | Atenas 2004 |
| Melhor marca | 4m36s54 | 4m39s18 | 4m33s59 | 4m34s83 |
| Marca brasileira | ————— | ————- | ————- | 4m40s00 |
| Recorde Olímpico | 4m36s29 | 4m36s29 | 4m33s59 | 4m33s59 |
| Recorde Mundial | 4m36s10 | 4m36s10 | 4m33s59 | 4m33s59 |
Nesta prova, o Brasil foi representado em Atenas pela atleta Joanna Maranhão conquistando o 5olugar. Desse modo, a primeira classificação brasileira nesta prova nas ultimas quatro olimpíadas denota um progresso, entretanto não capaz de acompanhar os outros países de ponta, visto que estão muito distantes das melhores marcas obtidas assim como dos recordes olímpico e mundial. Vale ressaltar que a melhor marca da prova, depois de ser responsável pela quebra de recordes olímpico e mundial em Sidney, regride em Atenas.
CONCLUSÃO
A partir dos resultados obtidos podemos concluir que as marcas brasileiras não apresentam um progresso coerente de olimpíada a olimpíada, ou seja, melhoraram de uma olimpíada a outra em algumas provas, mas pioraram em outras.
Especificamente na natação, nas 20 provas analisadas, somente em 11 delas a equipe brasileira obteve uma melhora nas suas marcas. Vale ressaltar que favorecem estes dados a significativa melhora da equipe feminina, atingindo em seis provas distintas a primeira classificação nas últimas quatro olimpíadas, no entanto, com marcas bem distantes das grandes potências nestas modalidades principalmente quando relativizadas aos recordes olímpico e mundial.
Apesar de uma melhora em algumas provas, a realidade da natação brasileira, principalmente quando inseridas no contexto olímpico de competição, ainda encontra-se bem abaixo das melhores equipes e dos melhores resultados obtidos nesta modalidade. Vale ressaltar que nas Olimpíadas de Atenas no ano de 2004, a melhor classificação brasileira foi um 5ºlugar com o atleta Tiago Pereira nos 200 metros medley e com a atleta Joana Maranhão nos 400m medley. Resultados satisfatórios quando pensamos na olimpíada anterior (Sidney 2000), mas muito aquém do esperado quando pensamos na Olimpíada de Atlanta (1996) na qual obtivemos excelentes resultados como os 3ºlugares de Fernando Scherer e Gustavo Borges, nos 50m livre e 100m livre respectivamente, assim como 2ºlugar do Gustavo Borges nos 200m livre e o 4ºlugar na prova de revezamento 4×100m livre.
Sem a intenção de julgar a quem cabe a responsabilidade desta queda de rendimento, nos preocupamos em indagar os motivos precursores desta queda e não os responsáveis. É notório que as delegações de Atlanta (1996) e Atenas (2004) foram formadas por gerações distintas da natação brasileira e dessa forma, o que cabe a nós refletirmos é a maneira com que se deu a transição de uma geração a outra. Isso é facilmente questionado quando analisados os resultados obtidos nas olimpíadas de Sidney em 2000 e comparados com os da Olimpíada anterior (Atlanta).
Falta talvez o apoio necessário na formação e capacitação de novos atletas, assim como formas de garantir que atletas olímpicos da nova geração mantenham sua evolução com a conseqüente superação de suas marcas. Que o investimento no esporte olímpico aumentou de Barcelona a Atenas, isto é sabido, no entanto, não sabemos ao certo o quanto mais foi investido e também, principalmente, de que forma foi investido. É justamente esse o próximo passo deste estudo: levantar como e quanto foi investido pelo poder público e privado no esporte olímpico brasileiro para inferir se este investimento condiz com as performances obtidas nas olimpíadas.
REFERÊNCIAS
- ADAM, Y. et al. Desporto e Desenvolvimento Humano. Coleção Educação e Ensino. Lisboa. Ed. Seara Nova, 1977.
- BRACHT, V. A lei de Diretrizes e Bases no desporto nacional em questão. Revista Fundação de Esporte e Turismo, Londrina, ano3, n.1, 1991.
__________ Sociologia crítica do esporte: uma introdução. 2ªed. Revista Ijuí, RS: Editora Unijuí, 2003.
- CARDOSO, Maurício. Os arquivos das olimpíadas. São Paulo. Ed.Panda, 2000.
___________ 100 anos de olimpíadas: de Atenas a Atlanta. São Paulo. Ed. Scritta, 1996.
- FEIO, Noronha. Desporto e Política: ensaios para sua compreensão. Coleção Educação Física e Desporto. Lisboa. Ed. Compendium, 1978.
- HOLMES, J. Olimpíada – 1936: glória do Reich de Hitler. Rio de Janeiro. Ed. Renes, 1971.
- LANCELLOTTI, Silvio. Olimpíadas 100 anos: história completa dos jogos. São Paulo. Ed Círculo do livro, 1996.
- TUBINO, Manoel et al. Brasil: potência esportiva pan-americana. Belo Horizonte: Casa da Educação Física, 2004.
- VERONEZ, Luis. F. C. Quando o Estado joga a favor do privado: as políticas de esporte após a Constituição Federal de 1988. Tese de Doutorado, apresentada na Pós Graduação da Faculdade de Educação Física da Faculdade Estadual de Campinas. Campinas, 2005.
- Revista Placar. Editora Abril. Edição 1, Agosto de 2004.
- Site <http://www.olympic.com/> acessado em 26 de Outubro de 2004.
- Site <http://www.cob.org.br/> acessado em 26 de Outubro de 2004.
- Site <http://www.atenas2004.com/> acessado em 26 de Outubro de 2004.
- Site <www.cbat.org.br> acessado em 08 de Novembro de 2004.
- Site <http://www.clicrbs.com/> acessado em 01 de Novembro de 2004.
- Site <www.atletismo.4t.com> acessado em 26 de Novembro de 2004.
1 Jacques Rouyer, já em 1965, em seu artigo “Pesquisas sobre o significado humano do desporto e dos tempos livres e problemas da história da Educação Física” publicado pela Editora portuguesa Seara Nova em 1977 em coletânea intitulada “Desporto e Desenvolvimento Humano”, ao tratar da gênese do Esporte Moderno, nos remete com clareza ao processo de apropriação do esporte por parte do proletariado, originariamente construído pelos burgueses para atender às suas necessidades sociais.
2Basta dar uma olhada nos dados da execução orçamentária do governo Federal para confirmarmos o maior destino dos recursos públicos para o alto rendimento em detrimento do estudantil e de lazer.
3Os atuais recordes mundial e olímpico, tiveram como fonte: www.cbda.org.br, enquanto que os recordes mundial e olímpico das olimpíadas anteriores tiveram como fonte o livro “Olimpíada 100 anos”. As marcas de Atenas tiveram como fonte: www.fina.org/Athens2004.
comentou em 8/08/2008, às 12:11
LI E GOSTEI MUITO DA SUA MATERIA, GOSTARIA DE SABER SE VOCE TEM CONHECIMENTO DE QUANTOSSÃO OS ATLETAS QUE NOS REPRESENTAM MAS QUE TEM SUA FORMAÇÃO E DESENVOLVIMENTO COMO ATLETA FORA DAS NOSSAS FRONTEIRAS.OU SEJA ATLETAS QUE PARA PODEREM ALCANÇAR BONS INDICES TIVERAM QUE BUSCAR AS ESTRUTURAS E TECNICOS EM OUTROS PAISES,
DESDE JÁ AGRADEÇO PELA SUA PRECIOSA ATENÇÃO
JOÃO CARLOS