“Brasil no Olimpo ou no inferno… Com o nosso dinheiro!”
Publicado em 12.08.2008.
Por Lino Castellani Filho
Vimos acompanhando, nestes tempos de Olimpíadas, uma certa “disputa” entre o Governo Federal – via Ministro do Esporte – e o COB, no pertinente às expectativas de medalhas por parte da delegação brasileira. O Ministério do Esporte – incentivador da presença do presidente LULA em Pequim, no constrangedor e equivocado papel de garoto propaganda do COB – vem cobrando publicamente uma melhor performance brasileira, por conta dos recursos públicos dispendidos – pela primeira vez num período de um ciclo olímpíco – em benefício do esporte olímpico. Vide p.ex. matéria “Brasil leva nº recorde de atletas a Pequim” publicada na edição nº684, de 06/08/08, do jornal eletrônico “Em Questão”, editado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Até porque precisa explicar para todo mundo, inclusive para o Tribunal de Contas da União, por qual motivo resolveu desrespeitar a Constituição Brasileira…
Por sua vez, o COB – seguido dos dirigentes das várias confederações esportivas – esforça-se em relativizar a presença do aporte de recursos públicos em seus cofres, buscando desvinculá-lo dos resultados esportivos.
Bem… Estudos parecem comprovar que a relação de causa – efeito (mais dinheiro = mais performance = mais medalha) não se configura no caso em questão, o que explica o “temor” das entidades esportivas brasileiras, todas elas dotadas de personalidade jurídica de direito privado, o que, sem meias palavras, significa algo como “ninguém (nem o Governo) pode se intrometer em nossos negócios, mas nós não sobrevivemos sem recursos públicos…”
O “Observatório do Esporte” (www.observatoriodoesporte.org.br)trás em sua página, já tem algum tempo, artigo denominando “O Brasil no Olimpo”, onde tal relação é analisada no caso da natação brasileira. Quem se interessar pelo tema pode contatar o autor do texto (rafael.moreno@uol.com.br), pois seu estudo não se limita àquela modalidade, estendendo-se a outras tantas. Vale verificar.
Lino Castellani Filho
Lino Castellani Filho é Coordenador do Observatório, doutor em Educação [Unicamp] e Docente da FEF/Unicamp; Comente
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